O tempo não pára
Cazuza é um dos meus artistas favoritos. Meu primeiro contato com a obra dele veio na adolescência, por influência do meu pai, que sempre foi fã.
Meus pais viveram intensamente as décadas de 70 e 80 no Rio de Janeiro e tiveram a chance de ver Cazuza ao vivo assim como Elis Regina, Lulu Santos, Marina Lima. Eles não faziam ideia do quão sortudos eram.
Fazia muito tempo que eu não parava para escutar um álbum inteiro do Cazu, mas nesses últimos dias estou agarrado na edição especial que a Universal Music lançou do show ao vivo O Tempo Não Pára, em 2022. Diferente da versão original, lançada em 1988, essa edição traz o show completo.
O mais legal é ver a sintonia absurda que o Cazuza tinha com o público. Ele conversa com a plateia como quem fala com amigos íntimos, sem aquela pose de celebridade.
Sempre que escuto um artista que morreu cedo demais, bate uma tristeza inevitável. Fico imaginando como a pessoa estaria hoje, as músicas que ainda teria lançado, as polêmicas que certamente teria arrumado. Isso acontece também quando escuto Raul Seixas, Elis Regina, Amy Winehouse… fica aquela sensação de livro inacabado.
Já assisti ao filme do Cazuza umas cinco vezes. Quando ele lançou, em 2004, eu tinha 17 anos e foi um choque ver a vida do cara na telona. Uma putaria sem fim.
Assisti novamente agora, mais de 20 anos depois, com outra cabeça e mais experiência de vida. O impacto foi o mesmo, mas dessa vez consegui reparar melhor na fotografia, entender algumas escolhas de direção, notar o granulado que dá um puta charme ao filme.
Também ficou mais evidente a crítica que muita gente fez na época pela ausência do Ney Matogrosso na história.
Cazuza não foi exemplo de bom ser humano. Era um burguês safado, não respeitava os pais e enchia o cu de pó. Mas, artisticamente falando, o cara era foda. Um gênio da nossa música.
Talvez seja exatamente por isso que ele ainda incomoda e emociona muita gente. Ouvir as músicas do Cazuza é como visitar um amigo da antiga, matar saudade de uma época feliz que nunca mais vai se repetir. Quem me dera se eu tivesse tido a chance de assistir esse louco cantando ao vivo. Seria demais.
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